segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Ninho das Cinzas

Mais uma vez, o Brasil e o mundo, acordando assustados, e vivendo um período cinzento de luto, tristeza e dor, de quem sobreviveu ao incendiário episódio, no Centro de Treinamento do Flamengo, no Rio Caótico de Janeiro.

Garotos que só queriam, mais uma oportunidade, de ser iguais aos seus ídolos do futebol. Vindos de diferentes regiões do país, deixando família para trás, tiveram suas trajetórias interrompidas, pelo incêndio da última sexta feira 09 de fevereiro de 2019.

Depois das lamentáveis cenas, muitas explicações, ou melhor, tentativas frustradas de explicar o inexplicável. Ar – condicionado, com curto circuíto, chuvas da última semana, entre tantos outros papos furados, para boi manhoso mimir, mostrando apenas, que o país não sabe prevenir tragédias, ou se sabe, não investe o mínimo possível, para evitá-las.

Ouvi algo, que me deixou arrepiado, pois segundo informações, este espaço do dormitório, tinha licença apenas, para ser um estacionamento, e nada mais. Talvez, o jeitinho brasileiro, de resolver tudo, mais uma vez, transformou mais de dez meninos em carvão. É isto mesmo, minha gente perplexa querida.

Os nossos clubes de futebol, não são nenhum trabalhador assalariado, que conta moedinhas enferrujadas, todos os meses, para pagar as contas e alimentar-se. Dinheiro existe aos montes em seus cofres. O problema que vejo, é que pessimamente administrado, de forma geral, traz consequências drásticas a coletividade.

Assim já vimos, dias atrás, lá pelas bandas de Brumadinho, e sua tsunami de lama mortal. Resta perguntarmos: até quando?

Será, que precisaremos assistir de camarote, mais capítulos desta novelinha aterrorizante, para depois tentarmos, juntar o leite derramado a conta - gotas? Muitos podem dizer, que tais coisas, poderiam acontecer com qualquer um. Concordo plenamente, mas se tivermos a exceção, estes sim, vão fazer a diferença. No último sábado, quando uma das vítimas completaria 15 anos, durante o seu enterro, o “parabéns a você” foi entoado pelos familiares. Confesso que me emocionei, vendo as cenas, de quem está aos pedaços.

Peço a Deus, forças a todas estas famílias, que perderam quem mais amavam em mais esta triste ocorrência. E que lições preciosas possam ser retiradas, para que em um futuro próximo, não vejamos mais vidas humanas sendo lançadas na lata do lixo de nossos egoísmos e vaidades a flor da pele.

Uma semana de reflexões e aprendizados a todos os queridos leitores. Grande abraço e fiquem na paz.

Emerson Pugsley, o autor é cronista, formado em Geografia com Especialização em Espaço, Sociedade e Meio Ambiente. Já tem várias publicações em diversos meios de comunicação e participa como colunista voluntário no Jornal Ponta Grossa, desde 2017.

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